Parte VIII: Príncipe Shotoku do Japão

Parte VIII: Príncipe Shotoku do Japão

Quando o príncipe Shotoku nasceu, o Japão era pouco mais que um litoral populado por hordas bárbaras. Quando ele faleceu, no entanto, o Budismo era a religião oficial e a Era de Ouro se iniciava.

No meio do século VI no Japão, a corte imperial era, de acordo com Peter Matthiesson em seu livro The Nine-Headed Dragon River, formada por nada mais do que ‘assembléias rudes’ de pessoas, sem governo ou linguagem escrita, que chegavam das terras costeiras próximas e viviam em “assentamentos precários nas margens dos rios”. Vários clãs lutavam por poder naquele tempo, e não era incomum que um dos membros do clã assassinasse outro para ganhar posição. O príncipe Shotoku nasceu nesta cultura turbulenta no ano de 574 d.C. Seu pai e sua mãe eram o imperador e a imperatriz do clã dominante Soga, que lutava para manter o trono.

O Budismo chegou no Japão vindo do reino coreano de Paekche cinquenta e dois anos antes, mas não tinha sido abraçado de forma significativa.

O tio avô do príncipe – apesar de ser ele mesmo um pouco bárbaro – havia se tornado estudante de budismo Mahayana durante este tempo, e por causa de sua influência, o jovem príncipe Shotoku, começou a memorizar textos budistas. (A mitologia que conta sobre a infância do príncipe inclui o fato de que ele já sabia falar quando tinha 4 meses de idade e já lia e escrevia em seu aniversário de 1 ano).

Quando o pai do príncipe faleceu (tendo se declarado budista depois que o príncipe se havia instalado ao lado do leito por dias a fio, rezando por sua recuperação), o tio avô do príncipe mandou matar um de seus sobrinhos para evitar que ascendesse ao trono; de acordo com alguns estudiosos, ele queria garantir que o príncipe, ainda não tendo idade suficiente na época, subisse ao trono algum dia para tornar o Budismo a religião oficial. No meio tempo, a tia avó do príncipe foi feita Imperatriz e no prazo de dois anos tornou o príncipe seu regente e herdeiro.

Como o clã Soga ainda estava lutando para se manter no poder, o príncipe rezou para os quarto Reis Guardiões do Budismo (os Shitenno), e prometeu honrá-los com um templo imperial se eles ajudassem-no a terminar as disputas na região. Como se fosse uma resposta, o chefe do clã rival ao príncipe foi morto em batalha, e o clã Soga finalmente pode ter seu assento assegurado.

Mantendo sua palavra com os Reis Guardiões, Shotoku começou a construção de seu templo, Shitenno-ji (Templo dos Shitenno), no ano de 593. Quando o templo foi concluído ele começou a construir um segundo em Nara, onde ele havia nascido, que ele chamou de Horyu-ji. Ele construiu ainda outro templo próximo a Osaka, para que todos os que viajassem para dentro e fora do Japão passassem através dele, e outro templo, Tenno-ji, que continha uma universidade, um monastério, um hospital e um asilo. Tenno-ji tornou-se um modelo para outros destes complexos que surgiriam no futuro. Apesar deste fato ter sido contestado, muitos estudiosos afirmam que o príncipe Shotoku construiu 45 templos na região de Nara-Osaka, muitos dos quais foram usados não apenas como centros religiosos, mas também como escolas. Durante esta época de construção de templos, o príncipe Shotoku começou a estudar budismo sob a orientação de dois monges coreanos.

Dez anos depois que o príncipe tomou o poder, ele lançou o que chamou de Constituição de Dezessete Artigos, que não era tanto um documento legal, e sim um tratado moral baseado no confucionismo e no budismo, que as pessoas hoje vêem como a fundação da cultura japonesa. A Constituição não apenas ditava as regras para um estado centralizado como na China, chefiado por um líder único que surgiria a partir do próprio mérito, e não por nascimento, como também colocava sugestões sobre a conduta correta. Por exemplo, de acordo com o Dr. Taitetsu Unno em seu livro River of Fire, River of Water, o artigo décimo da Constituição ditava “que possamos cessar a ira, evitar olhares raivosos. Não nos deixarmos ser ressentidos quando outros divergirem de nós. Pois todos os homens têm coração, e cada coração tem suas inclinações…pois somos todos, uns com os outros, sábios e tolos, como um círculo que não tem fim…”

Com a Constituição em vigor, o príncipe partiu para enriquecer ainda mais seu país, convidando eruditos da China e da Coreia par air ao Japão ensinar ao seu povo astronomia, geografia, medicina e outras ciências.

Neste ínterim, o príncipe tornou-se, ele mesmo, um erudito, escrevendo comentários e palestrando sobre o Sutra do Lótus, O Sutra Rugir de Leão da Rainha Shrimala, e o Sutra de Vimalakirti. Ele também compilou uma história completa do Japão, e desenvolveu programas sociais e obras públicas como fossos e estradas para o benefício de seu povo.

Tendo inaugurado o que os historiadores consideram como a Idade de Ouro do Japão, Shotoku faleceu aos 49 anos durante o sono, no ano de 622 d.C.

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Postado em

outubro 2, 2015

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