Parte II: Rei Tenpa Tsering

Parte II: Rei Tenpa Tsering

Parte II em uma série de discussões com o Rinpoche

O Rei Tenpa Tsering (1678-1738), vivia em Derge, no leste do Tibete, na era do 8º Tai Situ, Chökyi Jungney (1700-1774). “Ele foi um dos maiores patronos do Budismo”, diz Dzongsar Khyentse Rinpoche. “Os patronos são importantes, mesmo que sejam frequentemente esquecidos. Eles talvez nem sempre aparentem praticar tão diligentemente, mas eles são essenciais.” O Rinpoche recomenda darmos uma olhada no legado deixado por este grande rei tibetano.

O rei Tenpa Tsering construiu o templo principal no Monastério Pewar em Derge, que abriga um conjunto muito refinado de murais e pinturas Budistas. Mas sua principal atividade de patronagem foi imprimir textos importantes. Juntamente com o 8º Tai Situ, ele estabeleceu a Gráfica de Derge, que produziu mais de meio milhão de blocos de madeira de qualidade sem precedentes. “No interesse de tornar seu legado duradouro, ele prometeu pagar aos escultores da madeira tanto ouro quanto poderia ser preenchido nos sulcos de seu trabalho”, diz Rinpoche. “Inteligente, não é? Claro, eles iriam trinchar as escrituras tão profundamente quanto pudessem. “E, portanto, os blocos originais resistiram ao tempo.

Dando continuidade a esse legado, Gene Smith, renomado especialista em literatura tibetana e seu Tibetan Buddhist Resource Center (TBRC) nos EUA, lançou recentemente versões digitalizadas das edições Derge do cânone budista, o Kangyur e os comentários clássicos, o Tengyur. O Kangyur de 103 volumes é uma coleção de todos os ensinamentos do Buda em todas as suas várias manifestações. O Tengyur é composto por 213 volumes de comentários feitos por grandes mestres. Originalmente, apenas seis cópias foram feitas em Derge e foram reverenciadas instantaneamente como tesouros. Apenas a tinta especial vermelha foi autorizada a tocar os blocos. Eles foram distribuídos somente para monastérios selecionados, ermidas, templos do Tibete e Mongólia e famílias importantes. No site do TBRC é dado crédito ao trabalho da Gráfica de Derge por preservar esses ensinamentos. “Foi por causa desses tesouros da sabedoria Budista que a tradição Mahayana sobreviveu através de muitos séculos desde que as traduções começaram no século VIII”. O site do TBRC contém muito mais informações interessantes sobre como o parphud ou a “primeira impressão” foi mantida em segurança e eventualmente trazida para a era digital.

“Essas coleções, em particular o Kangyur de Derge, não teriam surgido sem o patrocínio dos grandes reis”, diz Rinpoche. O Tengyur foi completado com o auxílio do próximo governante de Derge, Lachen Puntsog Tenpa, com a redação de Tsultrim Rinchen (1697-1774). Este lançamento do conjunto digital do Kangyur de Derge marca o compromisso do TBRC em manter, preservar e disponibilizar a rica herança do povo Tibetano. Num futuro próximo, o TBRC pretende publicar as adições pós-parphud ao Kangyur de Derge, bem como um índice digital pesquisável com o Tangyur de Derge que o acompanha.

Um dos princípios orientadores da Fundação Khyentse é complementar e apoiar instituições e indivíduos com objetivos similares, ou seja, fomentar o estudo e a prática do budismo. De certa forma, Gene Smith está dando continuidade ao trabalho do Tai Situ e a Fundação está seguindo os passos do Rei Tenpa Tsering como uma patrona desse trabalho. A Fundação está satisfeitíssima em conceder sua ajuda a Gene Smith e ao TBRC como parte dos esforços do seu Fundo de Publicações e encoraja outros a fazê-lo também.

Inverno de 2003

Habilidades

Postado em

outubro 2, 2015

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