Parte V: Rei Songtsen Gampo

Parte V: Rei Songtsen Gampo

Songtsen Gampo é o precursor do Budismo no Tibete. Duas gerações antes de o rei Trisong Detsen convidar Shantarakshita e Padmasambava para o Tibete, o Rei Songtsen Gampo educava a nação para a transformação vindoura, abrindo caminhos para o dharma entrar e definitivamente permear a cultura tibetana. Sem Songtsen Gampo não haveria um alfabeto tibetano, Lhasa não teria o Jokang e o demônio feminino supremo do Tibete central ainda estaria vagando pela terra sem restrições.

Songtsen Gampo reinou de 617 a 650. Sua dinastia, Yarlung, localizava-se no Tibete Central durante um período imperialista da história do país. A religião dominante era o Bön, e o budismo estava presente de forma ainda seminal. No Tibete não existiam as traduções de escrituras budistas, parcialmente por que não havia uma linguagem escrita no país, e por isso Songtsen Gampo instruiu seu ministro Thonmi Sambota a viajar para a Índia, estudar Sânscrito e desenvolver uma escrita tibetana. Ele então encomendou a tradução de muitos milhares de textos.

Seus celebrados sucessos em batalhas expandiram o império tibetano para as profundezas da China e do Nepal, e foi durante estas batalhas que ele ganhou apreço pelas culturas vizinhas. Como uma lembrança do grande império que Songtsen Gampo liderou, um grande pilar ergue-se em frente ao Palácio Potala em Lhasa, erguido durante seu reinado, e onde está inscrito o acordo entre os líderes tibetanos e chineses para respeitar suas respectivas fronteiras. Ele estudou chinês, tornou-se hábil na arte da liderança, e mais importante, adotou os sagrados códigos de conduta das escrituras budistas. Sob sua liderança as práticas sagradas começaram a substituir o xamanismo dos Bönpos.

As duas rainhas de Songtsen Gampo podem ganhar o crédito por grande parte de sua tomada de consciência quanto à cultura. Bhirkuti, de Kathmandu trouxe as tradições do budismo dos Himalaias. A Princesa Wengchin, filha do imperador Tang, trouxe um tesouro da antiga sabedoria chinesa. Ela viajou através das estepes para encontrar seu marido, com uma coleção de textos de literatura clássica chinesa, astrologia sagrada, geomancia e medicina.

Muitos obstáculos cruzaram o caminho da princesa enquanto ela se dirigia a Yarlung. Ela teve uma visão de um gigantesco demônio feminino que deitava-se esparramado sobre os Himalaias, tão imenso que um membro de seu corpo apoiava-se em Paro no Butão e o outro no Tibete Ocidental. Quando a princesa chegou em Yarlung ela contou a visão para seu novo marido.

Reconhecendo o valor dos tesouros que sua noiva havia lhe trazido, assim como a importância de sua visão, o Rei Songtsen Gampo mandou construir, através de suas terras, treze templos para a subjugação do demônio feminino, edificados sobre seus órgãos vitais, tornozelos, pulsos e tronco, impedindo-a para sempre de causar estragos.

O Jokang de Lhasa foi construído sobre o seu centro do coração, e uma estátua do Buda Wengchin foi colocada no interior, onde ainda permanece. Outros templos deste tipo são o Trenduk Lhakhang em Tsetang e o Paro Kyichu no Butão.

O rei Songtsen Gampo é considerado uma emanação humana de Avalokiteshvara, e ele foi o avô do rei Trisong Detsen. Songtsen Gampo meditou por muitos anos na caverna que hoje fica no coração do Palácio Potala, e é reverenciado por sua grande proteção e incentivo ao Budismo.

Através de sua liderança iluminada, ele abriu o caminho para que o dharma fosse propagado através das províncias e o Budismo florescesse.

Inverno de 2004

Habilidades

Postado em

dezembro 16, 2004

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *