Parte I: Rei Ashoka da India

Parte I: Rei Ashoka da India

Por Dzongsar Khyentse Rinpoche

Está além de qualquer dúvida que a glória do passado do Budismo se deve à coragem de seus seguidores em buscar o verdadeiro significado além de uma vida material. Mas nunca devemos nos esquecer de que essa glória também se deu devido ao apoio prestado por pessoas e nações que enxergaram o valor tal busca. Mesmo grandes reis e líderes militares deixaram de lado suas ambições habituais com o interesse de apoiar o buddhadharma. São esses passos que a Fundação Khyentse deseja seguir.

O Budismo teve muitas eras douradas – a era do Império Mauryan de Ashoka (3º século A.C.), a Dinastia Tang Chinesa (século VIII D.C.), a Dinastia Tendai do Japão (século IX D.C.), o reinado de Kublai Khan (século XII D.C.), e antes da invasão do Tibete. Durante esses períodos, o Budismo permeou todas as partes da sociedade. Assim como as pessoas atualmente adoram os graduados da Ivy League, as estrelas de Hollywood e os jogadores de futebol, o público em geral tinha um imenso respeito pelos renunciantes profissionais. Eles enxergavam valor em investir na empresa da busca da iluminação.

Nos últimos poucos lugares remanescentes, como o Butão e a Tailândia, ainda se pode encontrar esse mesmo tipo de veneração pelos que buscam a iluminação. Um renunciante pode decidir fazer um retiro de nove anos sem muita preocupação. Ou um estudante do dharma pode ter fácil acesso a um monastério e a uma escola por quanto tempo ele quiser estudar. Doar é uma parte muito natural da vida nesses lugares. O Budismo é mantido vivo dessa maneira. A não ser por esses poucos exemplos, a idade moderna perdeu esse hábito.

O Budismo foi introduzido e está crescendo no Ocidente, mas os sistemas de auxílio para atividades espirituais são escassos. Somente após comprar um novo Macintosh, sair de férias, matricular-se na ginástica, e assim por diante, nós encontramos alguns trocados no bolso sobrando para doar. Por outro lado, muitos estudantes budistas ocidentais acham difícil o retiro e a renúncia devido à contínua necessidade de se sustentarem em nível material. Eles carecem de instituições como shedras (faculdades Budistas) e monastérios onde eles simplesmente possam entrar e solicitar ensinamentos. Eles precisam satisfazer seus interesses de forma individual, talvez indo ao Nepal ou à Índia para estudar, sozinhos, a linguagem e as escrituras.

Se quisermos sinceramente levar adiante as tradições do budismo, se estamos falando sobre estabelecer o Budismo no Ocidente, precisamos pensar adiante, para a próxima geração. Isso significa criar estruturas duradouras que promovam a prática e que tornem o dharma acessível a qualquer pessoa interessada. Não podemos nos sentar e esperar até que a América ou a França se tornem países Budistas. No seu tempo, o rei Ashoka construiu muitos templos e monastérios, ele entalhou ensinamentos budistas em pedras e pilares.

Ele enviou missionários para países como a Grécia e o Egito. Seu próprio filho, um monge, levou o budismo ao Ceilão, onde ainda é a principal religião. Dessa forma, estamos começando com pequenas ações, fazendo coisas como publicar textos, custear um retiro de três anos para um praticante na França, alimentar e hospedar setecentos monges na Índia e no Butão. Todo o propósito da Fundação Khyentse é criar um sistema de apoio (financeiro) para o estudo e a prática contínuos do dharma.

Habilidades

Postado em

outubro 2, 2015

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