Parte XI: Rei Jigme Dorje Wangchuck do Butão

“É incrível que ainda haja um reino Budista neste planeta.”
-Dzongsar Khyentse Rinpoche

No século VIII, Guru Rinpoche trouxe o Budismo para o Butão e lá meditou em retiro em seu caminho de ida e de volta para o Tibete. Até hoje, o país continua a ser um lugar onde o Vajrayana é considerado precioso acima de tudo. Há algo de especial lá que não pode ser encontrado em nenhum outro lugar da Terra. Embora o Butão seja um país minúsculo cercado por gigantes, permaneceu soberano. Rinpoche atribui o fato de que o Butão não foi “engolido” por seus vizinhos – Índia e China – a Jigme Dorji Wangchuck, também conhecido como o terceiro Druk Gyalpo (rei Dragão), o terceiro rei do Butão.

Nascido em 1928, Jigme Dorji Wangchuck sucedeu seu pai e seu avô como o terceiro rei do Butão. Sob a sua liderança, esse reino budista do Himalaia emergiu de um estado feudal isolado para se tornar um país que valoriza sua moderna infra-estrutura, preservando seu patrimônio ambiental e cultural.

O Butão é um país pequeno de apenas 2.202 km2 com uma população de cerca de 700 mil em 2008. Está situado entre a Índia ao sul e o Tibete ao norte. Em 1952, quando Jigme Dorji Wangchuck foi entronado, o Tibete estava tendo problemas políticos. O Druk Gyalpo compreendeu que a independência de seu amado país, rico em cultura Budista, mas ainda isolado e feudal, era frágil. Então, com apenas 24 anos de idade e pouca saúde (ele teve seu primeiro ataque cardíaco aos 20 anos), Jigme Dorji Wangchuck começou o seu legado de garantir a independência do Butão e preservar sua cultura.

O rei era aparentemente incansável. O Rinpoche conhecia o camareiro do rei, que lhe disse que o rei nunca dormia. Aos 22 anos, ele foi o primeiro de sua família a viajar para o Reino Unido, onde residiu com George Sherriff, um botanista no British Museum. O rei falava Inglês e Hindi, assim como sua lígua nativa Dzongkha, e era bem versado em política internacional e em economia. Ele serviu como assistente do seu pai e assim aprendeu como tratar os estadistas e como aceitar o mesmo tratamento com graciosidade.

O rei visionário compreendeu que eram necessárias muitas reformas para tornar o país mais forte e menos vulnerável. Acreditando que a tão necessária modernização não poderia ocorrer de forma isolada e sem a colaboração de todas as pessoas do país, uma das suas primeiras tarefas depois de ser entronado foi estabelecer uma Assembléia Nacional, o Tshogdu. Composta por 10 representantes governamentais, 10 representantes monásticos e 110 representantes populares, o Tshogdu deu voz à população, que foi assim envolvida na tomada de decisões e inspirada a ser politicamente consciente e ativa.

Em 1958, o Primeiro-Ministro indiano, Jawaharlal Nehru, junto com Indira Ghandi, visitou o Butão. Jigme Dorji foi inspirado a criar um plano de 5 anos, que ele lançou em 1961. Esse plano efetivamente levou o país ao século XX de uma maneira bem pensada e bem ordenada. Seu Departamento Butanês de Silvicultura foi um primeiro passo importante na proteção e conservação das ricas florestas do país e de outros recursos naturais. Ele também aboliu a escravidão e a pena capital e construiu um museu nacional, uma biblioteca nacional, os arquivos nacionais, um estádio nacional e criou institutos de dança, pintura, música e escultura.

Como ele imaginava que poderia haver um futuro em que a cultura milenar Budista do Butão pudesse ser corroída por influências externas, o Druk Gyalpo encomendou uma enorme estátua do Buda para ser colocada face ao edifício do parlamento em Thimpu Dzong. Ele encomendou a fabricação de 10.000 imagens do Buda em bronze dourado e supervisionou a publicação de edições incríveis do Kanjur de 108 volumes e do Tenjur de 225 volumes, trabalhados à mão por monges em caligrafia de ouro e lapis (lazuli).

“Ele fez tudo o que podia fazer”, diz Rinpoche. “Ele alcançou tantas coisas. A sobrevivência da tradição Drukpa Kagyu e Nyingma no Butão se deve a ele. O Butão pode ser o único país que tem iogues e praticantes que cantam mantras na folha de pagamento, e isso foi simplesmente devido a ele”.

Para garantir a independência do Butão, o Druk Gyalpo sabia que seu país deveria ser reconhecido pelas Nações Unidas. Como parte dessa organização, o Butão seria reconhecido pela comunidade global e poderia receber apoio financeiro para a sua crescente infra-estrutura e programas sociais. Com a ajuda do governo Indiano, o Butão tornou-se membro das Nações Unidas em 1970.

Jigme Dorji Wangchuck morreu 2 anos depois, aos 44 anos. Ele foi sucedido por seu filho, Jigme Singye Wangchuck, que deu continuidade ao trabalho de seu pai ao estabelecer eleições em 2008. O Butão é, portanto, a democracia mais jovem do mundo – e é ainda bem sucedido na preservação de sua cultura antiga e herança Budista.

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Postado em

outubro 1, 2015

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