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Mensagem de Dzongsar Jamyang Khyentse sobre a Passagem de Chatral Rinpoche

Jan 5th, 2016

Dzongsar Khyentse Rinpoche pediu à Fundação Khyentse e a organização Siddhartha’s Intent que publicassem essa mensagem em 5 de janeiro de 2016.

IMG_3966A passagem de Chatral Sangye Rinpoche marca o fim de uma era. Repentinamente perdemos um guardião que diligentemente  protegia, de modo geral, o  Dharma de Buda, em particular o Vajrayana, e em especial o Budismo Tibetano e a linhagem Nyingma.

O termo chatral traz a conotação de um iogue ascético que tudo abandona. De modo usual, os nomes são dados como rótulos. Mas, no caso deste alguém que agora entra no parinirvana, o nome Chatral não era meramente um label. Ele era o epítome e a corporificação do verdadeiro significado da palavra chatral.

Em toda a longa duração de sua vida, que foi mais de 102 anos, este foi um homem que fez muito, se relacionou com alguns dos maiores seres, e se tornou o mestre dos mestres, inclusive ensinando e se tornando o guru de Yongzin Gyaltsab Radreng Rinpoche, que foi o homem que encontrou o  14o Dalai Lama Tenzin Gyatso. Mesmo assim este mesmo homem mal pode dizer que tem um monastério, instituto ou centro de Dharma. Ao redor dele, parafernálias como telhados banhados a ouro e tronos não são encontrados. Ele foi um Chatral no real sentido da palavra.

Mas não se engane: muitos lamas como eu próprio, que fazem barulho, que exibem imagens destoantes, e que viajam por todo canto do mundo, não realizaram quase nada se comparado a este homem que parece que nunca fez nada exceto manter seu assento de meditação sempre quente. Mas se ele manifestou ação, este foi o homem que usou 99.99% do que tinha salvando a vida de animais. Sendo assim, para seres ignorantes como nós, tentar expressar as grandes qualidades deste ser iluminado é como tentar medir a largura e a profundidade do céu.

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Mesmo assim, se eu for expressar um ponto do pouco que eu conheci deste homem, é isto: o Dharma de Buda apresenta muitos desafios, inclusive todos os charlatães que prejudicam completamente a imagem do Dharma. Eles podem ser superados por aqueles que parecem fazer a coisa certa, que parecem ser serenos, apropriados, morais, e que nunca incomodam ninguém. Mas então isso nos leva a um outro desafio ainda mais difícil de superar. Porque fazer as coisas de modo apropriado, correto e com moral, e com o fardo de não incomodar ninguém, nos faz ser vítimas do politicamente correto e nos torna hipócritas.

Na minha limitada vida tenho visto muito poucos seres anti hipocrisia, e ele foi um deles. Era sempre sincero, não havia negociação, e obviamente ele nunca trocou uma simples palavra de Dharma por dinheiro. Repetidas vezes ele se recusou a fazer reverência aos poderosos.

Ele fez um monte de hipócritas como nós estremecer. Só de saber que estava vivo e respirando, em algum lugar entre Siliguri e Pharping, fazia nossos corações tremerem. Mesmo embora nós não conseguíssemos vê-lo, especialmente mais pro fim de sua vida – tive mais de 20 pedidos de entrevista recusados – sua mera presença nesta terra arrasava a hipocrisia.

Para expressar nossa homenagem, devoção e súplica, possamos nós, discípulos deste homem, manter em nossas vidas a prática de libertar seres vivos, como soltar peixes, especialmente neste mês.

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